segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Abalada pela realidade

É de lamentar que uma pessoa, ao ligar a televisão, se depare com alguém a dizer que a única coisa que quer é morrer, ou que gostava de estar na terra dela, ou que queria ver o filho mais vezes mas a viagem é tão grande que torna o facto de estar com ele bastante raro.

É muito triste ver pessoas a morrer sozinhas, sem qualquer dignidade ou sinal de carinho.
É terrível que quando alguém em caso terminal queira pôr fim ao sofrimento tenha de ir a países estrangeiros como a Suíça para poder ter um suícidio assistido, uma morte "fácil", sem sofrimento, com aqueles que mais se ama.
É escandaloso que tenhamos uma Ministra da Saúde que apenas aprendeu a esquivar-se às perguntas que lhe fazem.
É penoso pensar que um dia poderemos ser nós a estar sozinhos, completamente desintegrados de um mundo que em tempos também foi nosso.
É, sem dúvida, o país atrasado e cruel que temos, portanto, a única coisa que nos resta fazer é lutar até ser possível alguém acamado poder viver nas condições necessárias e ao mesmo tempo abraçado pelo amor dos filhos, lutar até ser possível ter um Ministro da Saúde que saiba responder a perguntas fáceis com clareza e verdade, lutar até que seja possível, no nosso último suspiro, sentir Portugal, sentir a família e não a solidão ou um país estrangeiro...

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